A diferença está no que cada exame enxerga. A perfilagem geofísica usa sondas que medem propriedades físicas das rochas e da água ao longo do poço e entrega gráficos para interpretação. A perfilagem ótica desce uma câmera e filma o interior do poço, mostrando revestimento, filtros e problemas em vídeo, com a profundidade na tela. Uma lê o que está atrás da parede; a outra mostra a parede. Por isso as duas se complementam.
O que é perfilagem de poço
Perfilagem é o registro, metro a metro, das condições de um poço. O instrumento desce preso a um cabo, enquanto um contador de profundidade associa cada leitura ou imagem à posição exata no poço. O resultado é um perfil: um documento que descreve o poço da boca ao fundo.
Em poços artesianos e poços tubulares profundos, dois tipos de perfilagem são comuns no Brasil: a geofísica e a ótica. Elas usam equipamentos diferentes, são feitas em momentos diferentes e respondem a perguntas diferentes. Quem contrata uma esperando o resultado da outra costuma se frustrar.
Perfilagem geofísica: o que mede e para que serve
Na perfilagem geofísica, uma sonda com sensores desce pelo poço e registra, de forma contínua, medidas físicas da formação e do fluido. As curvas mais usadas em poços de água são:
- Raios gama natural: indica a radioatividade natural das rochas. Argilas e folhelhos emitem mais; arenitos limpos, menos. Ajuda a separar camadas.
- Resistividade: mede a resistência elétrica da formação. Aponta zonas porosas com água e diferencia água doce de água salobra.
- Potencial espontâneo (SP): registra pequenas tensões elétricas naturais entre o fluido do poço e a formação. Também separa camadas permeáveis de camadas argilosas.
- Caliper (cáliper): mede o diâmetro real do furo ao longo da profundidade. Mostra alargamentos, desmoronamentos e trechos estreitos.
- Temperatura e condutividade do fluido: variações bruscas nessas curvas indicam onde a água entra ou sai do poço.
Com esse conjunto, o geólogo interpreta a litologia (que rochas foram atravessadas e em que profundidade), define onde posicionar os filtros e o pré-filtro, e localiza as entradas de água. Por isso a perfilagem geofísica é feita, em geral, logo depois da perfuração, com o poço ainda aberto, antes de descer o revestimento. É nesse momento que ela orienta o projeto construtivo.
O que ela entrega são gráficos e um relatório interpretado. Não há imagem do interior do poço.
Perfilagem ótica: a câmera que filma o poço
Na perfilagem ótica, o que desce é uma câmera submersível, com iluminação própria, presa a um cabo reforçado. O operador acompanha a descida ao vivo no monitor e grava o vídeo com a profundidade impressa na tela. Equipamentos como o FF17 e o FF19 usam duas lentes Full HD: uma frontal, que olha para o fundo, e uma lateral giratória de 360°, que varre a parede.
O vídeo mostra o que nenhuma curva geofísica mostra:
- o estado do revestimento: trincas, emendas, pontos de corrosão e furos;
- a posição e a condição dos filtros, abertos ou colmatados;
- incrustação e biofilme que reduzem a vazão;
- objetos caídos, como restos de bomba, cabos e ferramentas;
- desmoronamentos em trechos sem revestimento;
- o nível d'água e, muitas vezes, os pontos por onde a água entra.
A perfilagem ótica serve tanto em poço novo, para documentar a construção antes da entrega, quanto em poço existente, na manutenção. É o exame que se faz quando a vazão caiu, quando a bomba travou, quando a água saiu turva ou quando um objeto caiu no poço. Explicamos o procedimento em detalhes na página Perfilagem Ótica e no artigo Perfilagem Ótica: o Raio-X dos Poços Artesianos. Veja também o que o vídeo da filmagem de poço artesiano mostra e como escolher a câmera pela profundidade do poço.
Comparativo: perfilagem geofísica e perfilagem ótica
O que mede
- Geofísica: propriedades físicas da rocha e do fluido (radioatividade natural, resistividade, potencial espontâneo, diâmetro do furo, temperatura, condutividade).
- Ótica: imagem direta do interior do poço, em vídeo, com a profundidade de cada cena.
Quando fazer
- Geofísica: logo após a perfuração, em poço aberto, antes do revestimento.
- Ótica: ao final da construção do poço novo e, depois, sempre que houver suspeita de problema ou necessidade de laudo. Pode ser repetida ao longo da vida do poço.
O que entrega
- Geofísica: curvas e relatório interpretado por geólogo; base para o projeto de filtros e revestimento.
- Ótica: arquivo de vídeo e laudo visual; base para decidir limpeza, recuperação, troca de bomba ou pesca de objeto.
Limitações
- Geofísica: não mostra imagem. Não enxerga uma trinca no revestimento nem um objeto caído. Depois que o poço é revestido, várias curvas perdem utilidade.
- Ótica: depende da visibilidade. Água turva, lama ou poço recém-bombeado prejudicam a imagem. Não informa a litologia atrás do revestimento nem a qualidade da água.
Por que as duas são complementares
Pense em um poço novo. A perfilagem geofísica, feita no furo aberto, diz em que profundidade estão os aquíferos e onde os filtros devem ficar. O poço é então revestido e completado. A perfilagem ótica, feita na sequência, confirma que o revestimento está íntegro e que os filtros ficaram onde o projeto mandou. Uma valida a outra.
Anos depois, quando a vazão cair, raramente é preciso repetir a perfilagem geofísica completa: a formação não mudou. O que mudou foi o poço, e isso quem mostra é a câmera. Em um poço antigo sem projeto, a filmagem também recupera informação perdida: profundidade real, posição dos filtros, trechos de revestimento e pontos onde o diâmetro muda.
Quando contratar cada uma
- Vai perfurar um poço novo: peça a perfilagem geofísica à empresa de perfuração ou a um geólogo antes de revestir, e a perfilagem ótica antes de receber o poço.
- Poço existente com queda de vazão, areia ou água turva: filmagem do poço com câmera (perfilagem ótica).
- Bomba presa, cabo rompido ou objeto no poço: filmagem, para localizar o objeto e planejar a pesca.
- Compra ou venda de imóvel com poço: filmagem, para conhecer a condição real da estrutura.
- Estudo hidrogeológico ou de aproveitamento de aquífero: perfilagem geofísica, com interpretação profissional.
Para quem perfura ou mantém poços como atividade, ter o próprio equipamento de perfilagem ótica evita depender de terceiros a cada chamado. Já a geofísica costuma ser contratada de empresas especializadas, que possuem as sondas e a equipe de interpretação.
Relação com a outorga e o laudo
A outorga de uso da água é concedida pelo órgão gestor de recursos hídricos de cada estado, e as exigências variam. De modo geral, o pedido inclui o perfil construtivo e o perfil litológico do poço. A perfilagem geofísica fundamenta o perfil litológico; o vídeo comprova o perfil construtivo e a condição atual da estrutura, o que é especialmente útil na regularização de poços antigos sem documentação.
No laudo técnico, o vídeo da filmagem tem um peso prático: o cliente vê a trinca, a incrustação ou o objeto no metro indicado, sem precisar interpretar um gráfico. Por isso muitas empresas de manutenção entregam o vídeo junto com o relatório. Antes de contratar, vale confirmar com o órgão gestor do seu estado quais documentos são exigidos no seu caso.
O que a Hidroforty fabrica
A Hidroforty é uma indústria de Avaré (SP) que fabrica equipamentos de perfilagem ótica de poços: o modelo FF17, com cabo de 300 a 400 metros, e o modelo FF19, com cabo de 400 a 600 metros, ambos para poços de 4 a 12 polegadas, com duas câmeras Full HD, visão lateral 360°, gravação em SSD e contador de profundidade na tela. Nossa atividade é a fabricação dos equipamentos de perfilagem ótica; a perfilagem geofísica é feita por empresas especializadas, com sonda e geólogo próprios. Se você precisa filmar poços artesianos e quer um orçamento ou tirar dúvidas sobre o modelo certo para a sua profundidade, fale com a gente pela página de contato.